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MG lidera produção de eucalipto para a indústria e responde por 84% do carvão vegetal no Brasil

Produção florestal bate recorde com uso de florestas plantadas para fins comerciais O cultivo planejado de florestas para a produção de madeira, prática co...

MG lidera produção de eucalipto para a indústria e responde por 84% do carvão vegetal no Brasil
MG lidera produção de eucalipto para a indústria e responde por 84% do carvão vegetal no Brasil (Foto: Reprodução)

Produção florestal bate recorde com uso de florestas plantadas para fins comerciais O cultivo planejado de florestas para a produção de madeira, prática conhecida como silvicultura, é a base de uma cadeia produtiva que movimenta bilhões de reais. Em Minas Gerais, a atividade tem o eucalipto como protagonista e consolida o estado como líder nacional do setor. Segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Minas Gerais responde por mais de 84% da produção nacional de carvão vegetal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp E esse número expressivo tem uma explicação direta: o carvão vegetal é resultado da transformação da madeira do eucalipto. É o plantio em larga escala dessa árvore no estado que garante a matéria-prima para a produção do carvão que abastece o mercado. Além disso, o eucalipto é base para as indústrias de papel, celulose e ganha cada vez mais espaço na geração de energia. "O eucalipto é uma madeira própria para a produção de celulose e para o carvão vegetal. Temos perfis determinados por clones adaptados a realidades diferentes, tipos de solo, relevo e chuva. Trazemos cobertura verde para áreas que estavam sem vegetação", explica Adriana Maugeri, presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF). Segundo Adriana, o cultivo e a preservação ambiental caminham lado a lado na atividade. "Eu falo que é um 'combo', porque a área conservada precisa estar junto com a área produzida para que a madeira que vai chegar à casa dos brasileiros, e do mundo inteiro, seja melhor", afirma. Da pesquisa à colheita Até chegar ao ponto de corte, a floresta passa por um longo processo. Em uma propriedade em Curvelo, na Região Central do estado, o eucalipto é colhido em torno de sete anos após o plantio. Mas, antes da venda, há um extenso trabalho de laboratório e campo. "Geralmente a gente semeia uns 50 tipos [de clones], depende de cada ano. Fazemos o semeio e, a hora que a muda estiver no ponto, vai para o campo. A partir daí, há vários testes para saber se o material passa para a próxima etapa", detalha a auxiliar de pesquisa Arlete Pinto de Miranda. Na propriedade, que conta com mais de 40 mil hectares de eucalipto, são produzidas cerca de 35 milhões de mudas por ano. Para garantir a sustentabilidade, o manejo ambiental é rigoroso em todas as etapas de produção. "Adotamos um modelo de colheita em que deixamos a matéria orgânica no solo para melhorar a qualidade da terra. Além disso, temos uma grande área preservada, com reservas hídricas e áreas de alto valor de conservação, que já chegaram num estágio bem avançado de preservação", conta Sandro Marani, gerente da propriedade. Plantação de eucalipto em Curvelo, na Região Central de MG Reprodução/TV Globo Destino final: papel sustentável Depois de pronta para o corte, a madeira ganha diferentes destinos. Em Belo Horizonte, uma empresa atua há 25 anos transformando a madeira de florestas plantadas em papel para escrever e imprimir. A produção chega a 1.500 toneladas por mês e abastece clientes no Brasil e no Paraguai. A principal matéria-prima é o eucalipto certificado. O papel que chega a escolas, escritórios e empresas carrega na embalagem o compromisso de não agredir a natureza. "São todas florestas replantadas, reflorestadas e com certificado. Todas elas são monitoradas pelos órgãos competentes. Então, não tem como vir de desmatamento", garante Leonardo Andrade, diretor industrial da empresa. Para o setor, o desafio atual é ampliar a produção mantendo o planejamento, a rastreabilidade e o manejo responsável, sem perder de vista a conservação das matas nativas. "O cenário é muito positivo. Se eu puder fazer uma aposta, principalmente para pequenos e médios produtores, é para utilizar a floresta como uma atividade econômica integrada a outras, equilibrando as demandas e os desafios econômicos que enfrentamos todos os dias", conclui a presidente da AMIF, Adriana Maugeri. Plantação de eucalipto em Curvelo, na Região Central de Minas Reprodução/TV Globo